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A frase “Como pouco mas não emagreço” te soa familiar?

Aposto que você já deve tê-la ouvido na boca de pacientes algumas dezenas de vezes.Assim como toda fala do paciente, esta informação trazida deve ser investigada.

Mais uma vez, teremos o recordatório alimentar como nosso principal aliado para avaliar de forma minuciosa o que pode estar por trás do relato do paciente e sobre o que se trata exatamente este comer “pouco”. Eu trouxe aqui para vocês uma lista das possibilidades mais comuns:

1) O seu paciente pode estar beliscando entre as refeições!

Às vezes, até de forma inconsciente, o paciente pode estar tendo um comportamento beliscador entre as refeições ou mesmo enquanto cozinha. Este padrão pode estar somando calorias extras ao VET calculado. Lembrando que não é incomum que, quem tem esse comportamento, o faça dentro de um certo “comer automático” e, muitas vezes, perde-se a noção da quantidade de alimento ingerido.

Uma vez identificado, deve-se investigar os motivos pelos quais o paciente está reproduzindo esse padrão:

  • Ele sente fome após as refeições principais? Neste caso, cabe um ajuste dos nutrientes destas refeições.
  • É um comer emocional? Ele está usando a comida para aliviar situações de estresse, por exemplo? Neste caso, é interessante trazer esta consciência para o paciente, identificar os gatilhos e trabalhá-los.
  • Ele tem constantes situações sociais onde existe comida disponível envolvida? Ele pode estar somando calorias a mais no plano alimentar por um comer social, que é uma forma, muitas vezes,  de comer inconsciente, motivada por uma situação social e acesso fácil ao alimento (e não à fome). Neste caso, também é importante trazer a reflexão para o paciente para que ele tome consciência e controle das situações. O paciente deve ser estimulado também a exercitar o comer com atenção plena, que é uma ótima estratégia para mudança de comportamento alimentar.. 

2) Ele está errando nas quantidades (principalmente dos alimentos mais calóricos)

É muito importante, ao passarmos um plano alimentar para o paciente, que a gente tente ilustrar algumas quantidades de alimentos para que as expectativas se alinhem. Por exemplo, parece simples, mas o paciente pode sim confundir uma colher de sopa com uma colher de arroz. Então, na hora de fazer o plano, especifique o quanto puder, e de preferência,  ilustre utensílios, quantidades, tamanho e distribuição em uma imagem de prato.

É crucial também que se dose, ainda de forma mais minuciosa, a ingestão de alguns alimentos como: óleo usado para cozinhar, o azeite da salada, as porções de pasta de amendoim, a quantidade de oleaginosas consumidas…

Cuidado com recomendações como:

  • Um fio de azeite.
  • Salada à vontade (porém quanto de azeite será usado para temperá-la?)
  • Uma colher de sopa de pasta de amendoim (o quão cheia esta colher deve estar?)

 3) Alto consumo de ultraprocessados

Este certamente é um dos campeões quando o paciente chega ao consultório falando “mas doutora, eu como tão pouquinho e não emagreço”.

Muitas vezes esse paciente consome rotineiramente ultraprocessados que passam despercebidos quanto a sua falta de qualidade.

Por exemplo, o biscoito de água e sal (que sabemos que, obviamente, não é feito apenas de água e sal), o Requeijão (que ainda é visto como “queijo”), biscoitos, sobretudo aqueles “falso-saudáveis” que se autopromovem como “fit”; sucos de caixinha, mate, bebidas lácteas adoçadas, entre outros.

O que acontece é que esses produtos possuem uma alta densidade energética, ou seja, fornecem quantidades consideráveis de calorias em volumes pequenos de produto, o que dá realmente a impressão de que se comeu “pouco” (pouco em quantidade, mas não em calorias); e pior: muitas vezes estas calorias não vêm acompanhadas com um bom aporte de micronutrientes.

Abaixo eu ilustro o que muitos pacientes consideram “Comer pouco” e o que, por ora, consideram “Muita comida”

Este paciente, muitas vezes, até se esforça para fazer melhores escolhas alimentares, mas cai no senso comum e em propagandas falaciosas, cedendo ao discurso da indústria que a todo tempo tenta vender seus produtos de baixa qualidade com uma falsa proposta de “saudável”.

Neste caso, vale a pena investir em alguns processos de educação nutricional específicos, como a leitura de rótulos. Lembrando que um dos objetivos da consulta nutricional é promover autonomia alimentar; interpretar as informações que as embalagens nos trazem é crucial para que essas escolhas sejam feitas de forma mais perspicaz.

 4) Seu paciente está omitindo informações de você

Neste caso, é muito importante ter atenção e sensibilidade: apesar de ser uma possibilidade, não desacredite seu paciente. Isso pode abalar a relação que vocês estão tentando construir. Portanto, muito cuidado com a forma que abordar a questão.

Se você suspeita que ele possa estar omitindo alguma informação por vergonha ou medo de julgamento, tenha uma conversa franca sobre a corresponsabilidade dele no tratamento e deixe claro que você não está ali para julgá-lo ou condená-lo, mas para ajudar a fazer com que o processo dê certo.

 

5) Seu paciente entrou no Efeito Platô

Após analisar que seu paciente está de fato seguindo o plano alimentar de forma até rigorosa, mas estagnou na perda de peso, talvez ele tenha chegado ao temido efeito platô. Uma das formas de tentar lidar com este estacionamento é ciclar diferentes estratégias nutricionais, ou seja, modificar a distribuição de macronutrientes da dieta. Outra ação que pode ser sugerida é a ciclagem de modalidade de atividade física, mas este é um assunto que pode ser melhor trabalhado por um profissional de educação física. 

O importante aqui é fornecer estímulos diferentes para este organismo. Ah, e é muito importante que o paciente seja motivado durante todo o processo! Então mesmo que a estagnação de peso aconteça, ele deve valorizar todas as metas que o fez chegar até ali e enxergar que a manutenção de peso também é um passo importante.

Outras estratégias importantes para o emagrecimento que você pode ler um pouco mais aqui no blog são:  comer devagar, dormir bem, atentar para a influência dos horários das refeições na perda de peso e mindfulness

Quer aprender um pouco mais sobre ciclagem de estratégias nutricionais? Qual utilizar em cada caso? Quais têm evidência?

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