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Como a alimentação pode ser eficaz no tratamento da Doença Hepática Gordurosa não alcoólica (NAFLD ou DHGNA)??

Inicialmente, a fim de entender como a alimentação pode influenciar de forma positiva na redução da gordura no fígado, deve-se conhecer os fatores de risco e as comorbidades que estão associadas ao desenvolvimento da Doença Hepática Gordurosa não alcoólica (NAFLD ou DHGNA).

Por isso, vamos entender: O que é a esteatose?

A esteatose é uma doença silenciosa, sendo um distúrbio metabólico caracterizado pelo excesso de triglicerídeos nos hepatócitos, no qual não há associação com o consumo de álcool. Ela compreende duas condições com prognósticos diferentes e a distinção entre elas só pode ser feita por exame histológico: a NAFL e a NASH.

1)Fígado gorduroso não alcoólico (NAFL), também chamado de esteatose isolada. É definido como a presença de esteatose hepática ≥5% sem evidência de lesão nas células hepáticas

2)Esteatohepatite não-alcoólica (NASH) é a presença de esteatose hepática ≥5% associada a inflamação lobular, com presença ou não de fibrose. É a mais provável de evoluir para cirrose e suas complicações, como câncer de fígado. A presença de fibrose ainda é a principal causa de mortalidade nos indivíduos com NASH.

Quais as principais condições clínicas associadas tanto a NAFL quanto a NASH?
As principais comorbidades relacionadas e que nós profissionais da saúde devemos permanecer atentos são a obesidade e o sobrepeso com obesidade central (elevada circunferência da cintura), diabetes mellitus, dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicérides), síndrome metabólica, hipertensão arterial e outras condições clínicas como hepatite crônica pelo vírus C, síndrome de ovários policísticos, hipotiroidismo e síndrome de apnéia do sono.

Um estudo publicado no Annual Review of Pathology (2018) já relata que essa doença está presente em mais de 25% da população mundial, chegando a atingir mais de 70% dos indivíduos obesos com diabetes mellitus tipo 2!

A literatura já comprova que a obesidade e o sobrepeso estão fortemente associados com o desenvolvimento da esteatose hepática . Um estudo de base populacional realizado em Santiago, Chile, demonstrou a associação do IMC em 23,4% de 832 indivíduos hispânicos, associada a um índice de massa corporal > 26,9Kg/m2.

Mas, e quanto às doenças cardiovasculares (DCV)? Existe relação entre a esteatose e as DCV?
Com toda a certeza! Diversos estudos comprovam a associação entre NAFLD e doenças cardiovasculares. Desse modo, torna-se extremamente importante, o manejo da glicemia em pacientes com diabetes, o controle da pressão arterial em pacientes hipertensos e o manejo controle do colesterol em pacientes com dislipidemia.

E se engana quem pensa que a NAFLD só afeta adultos!
A esteatose hepática em crianças é um problema crescente que está alcançando proporções epidêmicas em alguns países. Ela é a causa mais comum de doença hepática na infância, com uma prevalência de 9,6%, aumentando para 34,7% nos casos de sobrepeso e obesidade infantil. Mas, tanto em crianças como em adultos os sintomas clínicos e progressão da doença são similares.

E como a nutrição pode intervir na progressão e no tratamento de indivíduos com NAFLD?
Podemos citar a mudança do estilo de vida como o grande sucesso para o tratamento da esteatose hepática, uma vez que a atividade física bem como uma alimentação adequada são fatores que influenciam na progressão. Por isso, o primeiro passo é gerenciar as comorbidades associadas, principalmente quanto ao risco cardiovascular.

Qual o melhor padrão alimentar para a NAFLD?
A rotina alimentar adequada, como parte das intervenções no estilo de vida, é fundamental no tratamento da NAFLD, embora o efeito dessas intervenções seja frequentemente difícil de avaliar devido à falta de padronização dos desenhos dos estudos. A dieta mediterrânea é a mais citada nos consensos e guidelines, porém a escolha da dieta deve ser personalizada e baseada nas comorbidades e preferências do paciente. A melhor dieta é aquela que o paciente pode seguir!

E já é estabelecido que uma diminuição da ingestão calórica e a redução de pelo menos 5% do peso corporal influencia na redução significativa no conteúdo de lipídios intra-hepáticos. Além disso, uma diminuição de 7−10% do peso corporal ou mais é ideal, devido a associação da melhora em todos os parâmetros histológicos (esteatose, inflamação e fibrose) em uma porcentagem maior de indivíduos.

Outro ponto que merece destaque é a microbiota intestinal, pois ela está fortemente interligada com a saúde hepática. Uma barreira intestinal disfuncional pode contribuir para a carga de gordura hepática e desencadear inflamação hepática e ativação de células estreladas hepáticas, que por sua vez levam à fibrogênese progressiva.

Posso recomendar a prática de exercício físico para pacientes com esteatose hepática?
Sim! Uma meta-análise de ensaios clínicos (2016) randomizados forneceu fortes evidências de que a atividade física está associada a uma redução significativa no conteúdo de gordura do fígado. Assim, o estímulo da prática de atividade física deve ser recomendado, incentivado e adaptado às condições clínicas e idade dos pacientes, considerando-se também se esses são sedentários, ativos ou atletas.

Está mais do que claro como a mudança no estilo de vida pode ser um fator importante para o tratamento da NAFLD?

Para você que se interessa por esse assunto iremos abordar mais sobre Doença Hepática Gordurosa não alcoólica no novo curso: Consultório de portas abertas! Teremos a presença do Msc. Rafael Sales, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, que abordará o atendimento ao paciente com DHGNA e síndrome metabólica!

Bloco de siglas:
– Non-alcoholic fatty liver disease – NAFLD.
– Doença Hepática Gordurosa não alcoólica – NAFLD ou DHGNA
– Fígado gorduroso não alcoólico – NAFL
– Esteatohepatite não-alcoólica- NASH
– Doenças cardiovasculares- DCV

Referências:
(LATIN American Association for the Study of the Liver (ALEH) Practice Guidance for the Diagnosis and Treatment of Non-Alcoholic Fatty Liver Disease. Hepatology, [S. l.], 16 set. 2020).
(MILLER,, E. F. (2020). Nutrition Management Strategies for Nonalcoholic Fatty Liver Disease: Treatment and Prevention. Clinical Liver Disease, 15(4), 144–148. doi:10.1002/cld.918)
(NON-ALCOHOLIC fatty liver disease and its association with obesity, insulin resistance and increased serum levels of C-reactive protein in Hispanics. Liver International, 2009).
(Orci LA, Gariani K, Oldani G, et al. Exercise-based interventions for nonalcoholic fatty liver disease: a meta-analysis and meta-regression. Clin Gastroenterol Hepatol 2016;14:1398-1411).
(SOCIEDADE Brasileira de Hepatologia. In: Esteatose Hepática. [S. l.]. Disponível em: Esteatose Hepática. Acesso em: 4 nov. 2021).
(RECENT Insights into the Pathogenesis of Nonalcoholic Fatty Liver Disease. Annual Review of Pathology: Mechanisms of Disease, [S. l.], 2018).

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